Sou da companhia da Bugra

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sábado, 30 de junho de 2012

La do pe de Bocaiuva


       Um pé de Bocaiuva é um bosque, uma floresta, um capão santo.  Na dimensão da verde inquietude é canção, desejo intenso, cortejo do vento, montanha de fé.

           Pé de Bocaiuva é nutrido de sol. Projeta cinema vivo, com exibição de documentários sobre fauna e flora. Espetáculos de araras, poéticas orquídeas e pactos de lagartas que fogem em trilha de esperança para enfurnarem avesso, dormirem lapso limite na sustentabilidade do tronco forte da Bocaiuva.

                 Bocaiuva é um pouco uva. Polpa doce, amarelo-surpresa, alegra rusticidade, exercita alicates-bicoides, apraz línguas oblíquas, sacia olhos do mato.

               Um pé de Bocaiuva é recinto de banquetes ao ar livre.  

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

LAGARTA

Lagarta mastiga folhas, digere certa fé e escorrega até a terra. Perambula desejos em caça por um berço onde grudará o seu único pedido, lapso espaço de oração para sagrada metamorfose. Somatiza a fé, partilha a esperança, e compartilha, em longo e sereno sono, o sonho de sua espera.

Encubada na paz seiva verde condensa arco-íris. Em silêncio borboleteia universo de folhas liquidificadas. Fotosíntese vertente celeste consagra a lagarta, nasce mansa cor. Borboleta é voo de promessas, brincadeira de jardim, alegria do vento e das meninas de meus olhos.
Vanda Ferreira

domingo, 15 de janeiro de 2012

VERÃO

VERÃO


Vanda Ferreira

Em céu iluminado, escancaradamente abre-se o olho planetário. Meus olhos, teus olhos, nossos olhos verão fulgorosos tons escandalosamente amarelos, doces moldados em polpas de frutas, fartura frugal em mesas de cores transbordadas de cruas gamelas.

Verão mulheres vestidas de flores, permanentes sorrisos nas praças. Ciranda de passarinhos, crianças, bolas, cachorros. Verão espetáculo do ensaio da terra seca e molhada, explosão madura no palco comunitário, socialmente correto.

Verão sinônimo de alegria, versão de liberdade. Igualdade é promovida da riqueza da simplicidade. Floração do bem, todos verão. Inevitável ver alegria no Verão.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Direito é redondo

Direito humano não é quadrado


A maior falha do Direito é promover a igualdade. Fere a essência de ser.

Não sou igual a todos, confesso! Adoto linguagens além das verbais, metáforas, expressões corporais. Liberdade auditiva contempla mar aberto. Opções dão os poderosos pés para ir, vir, ilhar.

Há diferenças (leves e gritantes) em significante e escancarada escala.

O topo da igualdade é a verdade ecológica.Tenho direito à liberdade redonda para viver em paz. Humanamente correto, justo e direito. Isto é legal.

Vanda Ferreira

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Plantação de dúvidas - roda de prosa

PLANTAÇÃO DE DÚVIDAS


Vestígios rarefeitos por nuvens de poeira, maquiam dores e disfarçam sorrisos na brancura de meu olhar, que testemunha apagão em contínuo desenvolvimento, em processo que obscurece meus padrões musicais, gastronômicos, nativistas.

Rondam os vendavais. Disfarçados de brisa desalinham a paz, plantam dúvidas em minha terra de mato, céu azul e tuiuius.

Tudo reforça a sensação de que sou um exemplar da espécie de indío, quase extinta. Então, paro na explícititude da curva do córrego para beber segredos e lavar maldades.

Vanda Ferreira

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Roda de prosa - Linguagem universal

Atitudes dizem. Oram, seduzem. Atitudes semeiam, regam, declaram desejos. Atitude é a mais sincera e verdadeira arte de comunicação. Tem maxima eficiência, clara compreensão e se traduz em qualquer língua sem necessidade de tradutor.
Atitude é um linguajar compreensível e interpretado em todos os idiomas. É um tipo de dicionário global, aberto para todos os povos. Pobres, ricos, cultos, analfabetos, estrangeiros ou não, compreendem o sorriso, leiem a lágrima, entendem a mão estendida, passos apressados e o significado da devastação.
Atitude é a eficaz forma de falar.


Vanda Ferreira

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

DESPIDA DE VAIDADE

Opto por eternizar o instante a ser mutante, deslavada de água benta.
Prossigo nua de maldição, despida de vaidade. Zelo da pele emplastada de unguentos
para afastar pecados ao mar dos tormentos. Prefiro a lisura do simples, a coletividade do bem, o luxo do resgate, a inocência do hoje.
Meus versos feitos seiva de capins, serão ruminados e renascerão fortes, adubados pelo esterco das pastagens. Prefiro, assim.
Sem vaidade, sem luxúria, sem colares mafiosos. Gosto dos vinte dedos desanelados de comprometidos metais, gosto do livro aberto devassando minha história sem esconderijos. Prefiro amar a oportunidade
que me livra de ser uma imagem a mais em fotografias banais.


A serenidade do conforto muscular facial, não sustentaria o sorriso fatal para a parceria com os demais
nos quadros dos famosos jornais; placidez de pele maculada reluz em holofotes celestes. Reserva de lua cheia de mistérios solares.

Vanda Ferreira

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Prosa sinestésica

Prosa sinestésica


À minha frente, com os pés descalços, cravados na margem de areia, estava ele totalmente nú; Braços abertos, coração exposto, orelhas escancaradas, olhos voltados para o sagrado. Juntei-me ao acolhedor colo; Abraçados pelo vento, ouvimos sal espumando, uivos e sussurros, enquanto zumbia maresia. A nudez se desfez. Tingimento do sol tatuou o encontro das meninas de meus olhos com o banco solitário .